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paquera francesa: o xis da questão (três considerações sobre amor e sexo na França)

1) Simplesmente não entendo o jogo de sedução/paquera aqui na França. Confesso pra vocês. Quando os franceses se comunicam uns com os outros em francês, parece simplesmente que todo mundo está dando em cima de todo mundo. É realmente a língua do amor, agora eu finalmente entendo. Mas aparentemente só eles sabem fazer a distinção entre uma paquera ultra-sutil e um falar normal. Eu não imagino como seja isso.

2) Outra coisa que me parece relevante é que aqui há uma certa tradição de "liderança feminina" naqueles primeiros passos. No Brasil, somos mais passivas e os homens mais ativos (se bem que, falariam outras autoras do blog, essa "atividade" também anda em decadência por aí). O fato é que nós ficamos esperando os franceses tomarem a iniciativa enquanto eles ficam nos esperando tomar a iniciativa. Salvem-me.

3) Última consideração do dia: a França deveria exportar namorados. Aqui não tem sido muito difícil achar caras que reúnem pelo menos três das seguintes características:

- gatinhos/fisicamente atraentes
- inteligentes/intelectualódinhos
- anti-machistas
- independentes dos pais
- entre 23 e 30 anos

Sendo que a maioria deles reúne TODAS. Ou estou numa maré de sorte lascada. Só faltava mesmo a característica mais importante de todas: que dêem bola pra mim.

mas o que ainda precisa ser dito?

A cena se repete em quase todas as lojas que entro. Na hora de pagar, observo o movimento do vendedor. Lá vai ele pegar a sacola. "Não precisa de sacola, obrigada", digo. A frase instantaneamente paralisa o indivíduo, que nesse momento me olha com surpresa e certamente pensa: "Olha essa louca, não quer sacola". Para confirmar minha loucura, tiro minha sacolinha de nylon vermelha da bolsa para colocar as compras. O vendedor continua com aquela cara de "que garota estranha".

Podem me achar louca, mas qualquer um com um mínimo de bom senso sabe que louco é quem ainda nos dias de hoje, em que só se fala de meio ambiente e etc, continua colecionando aquele número absurdo de sacolinhas plásticas em casa. Pior ainda se de vez em quando joga a coleção no lixo comum. "Não, mando para a reciclagem". Não faz mais do que a sua obrigação. Mas não é porque as malditas sacolas plásticas podem ser recicladas que então no supermercado vamos colocar cada item numa sacola diferente, como fazem os adoráveis empacotadores.

Falando em supermercado, notei nos últimos tempos que até se vê gente com suas próprias sacolas fazendo compras. Mas isso provavelmente só acontece nesse supermercado que a classe A frequenta, resultado da campanha para uso das tais sacolas e sua venda na própria loja. Dá para ver que 5% das pessoas agora vai com a sua sacola "ecológica" ao supermercado. Iluminados, esses. Ou semi-iluminados. Porque não vejo a extensão disso para outros tipos de loja. Na casa de material elétrico, na loja de sapatos, na farmácia, na feira, como ninguém ainda começou uma campanha de "venha fazer compras com sua sacola ecológica", ninguém consegue por si só tomar tal atitude. E por isso a cara de espanto do vendedor diante da minha sacolinha vermelha.

Deixando a atitude da população para lá, a prefeitura - antes tarde do que nunca - começou uma tímida campanha chamada "Saco é um saco". Mas a coitada é tímida, muda e discreta. Aposto que muita gente nem ouviu falar, e se ouviu, deve ter visto talvez um reclame tão sucinto no cinema que nem deu para entender do quê se tratava. Que ótimo, assim vamos a passo de tartaruga: a semi ou não iluminação das pessoas mais a timidez da prefeitura.

Vi como funciona na Europa, isso já em 2006. Alguns supermercados cobram pela sacola descartável, outros nem tem sacola plástica, só as ecológicas à venda, e disponibilizam caixas de papelão para os clientes. Se você se esquecer de levar sua mochila ou sacola, ou desembolsa a grana de uma ecológica ou volta para casa sem as compras. Em Nova Iorque, apesar de ficar impressionada com a quantidade de lixo que se produz, vi que a história das sacolinhas também é outra. Tive diálogos bem diferentes com os vendedores e caixas das lojas: "Você precisa de uma sacola?", me perguntavam. Enquanto isso, aqui nosso supermercado vanguardista só dá caixas se você pedir, nunca há nenhuma à vista, e - pasmem - dá um super incentivo para aquelas boas almas que vão às compras com sua própria sacola: 10 - DEZ - CENTAVOS - CEN-TA-VOS- DE DESCONTO!!! Como muitas pessoas são movidas pelo bolso e não pela consciência, já se imagina quão longe vamos chegar.

A historinha das sacolinhas e da consciência das pessoas me faz lembrar outras coisas irritantes, como ter que, desde que me conheço por gente, ouvir o governo fazer campanhas de economia de água do tipo: "feche a torneira enquanto escovar os dentes" ou "não varra as folhas da calçada com esguicho". Será que isso ainda precisa ser dito? Pior que precisa. Exemplo: toda vez que faço uma reunião de amigos em casa vejo latas de cerveja no lixo orgânico. ????? !!!!!!!

E por aí vai, as latas, a água, as sacolas, as toalhas de papel dos banheiros, os guardanapos, canudos e sachês de mostarda das lanchonetes de fast food, as folhas novas para impressão de duas linhas de texto, os brigadeiros de colher!!!

Acho que não há mais nada a ser dito.

a idade e o corpo

Todos os meus amigos da minha idade já estão dizendo que sentem a "velhice" chegando, e eu inclusive. Os sintomas variam. Notamos mudanças no corpo, no comportamento, nas atitudes, nas opiniões, no bar que escolhemos ir, na viagem que resolvemos fazer nas férias, no tamanho do pavio da paciência, etc.

Estou agora esses dias de janeiro fazendo um curso intensivo de flamenco. Talvez justamente por ser intensivo é que as diferenças do tempo em que eu era bailarina para agora estejam tão em evidência.

Nunca dancei profissionalmente ou fui uma das melhores do meu grupo. Mas eu tinha lá minhas qualidades... Uma que minha professora sempre ressaltava era que eu tinha ótima noção espacial, o que significa, basicamente, não trombar com outros bailarinos. De fato, outros perto de mim até podiam ser estabanados, mas eu não esbarrava em ninguém. Parei de dançar há 8 anos e de uns anos para cá comecei a notar que a minha noção espacial já não é aquela maravilha: volta e meia dou com o ombro em batente de porta.

E agora no intensivo de flamenco vejo como até a coordenação motora falha. E a memória para decorar sequências. E a dificuldade para contar a música. Bater palma na música de bulería... Decadência total! Sei que flamenco é bem difícil, mas começo a desconfiar que a dificuldade vem um pouco das 30 primaveras que já vivi.

Isso me faz lembrar um programa que vi na TV um dia que dizia que tudo o que vai acontecendo ao nosso corpo com a idade: os reflexos ficam mais lentos, perdemos a tal da noção espacial, a visão piora (a periférica então, deve desaparecer completamente), temos dificuldade para andar e até para levantar do sofá... Sem falar nas doenças.

Acho isso tudo um tanto desesperador, ao mesmo tempo que sei que não há muito o que fazer. Digo isso porque tenho certeza que já faço o bastante para manter meu corpo e minha mente ativos, o que certamente deve retardar os efeitos dos anos sobre as nossas costas. Mas é um fato: meu corpo e minha mente já não respondem como antes. Conforme-se, Carolina.